PARASHA EKEV

Conteúdo da Parashá:

I. As recompensas prometidas ao povo de Israel por fazer Mitsvot.

II. A obrigação de afastar da terra de Canaan da idolatria.

III. A bondade de Hashem para com o povo no deserto.

IV. Moshé relembra o pecado do Bezerro de Ouro.

V. Moshé repete os dez mandamentos.

VI. Moshé recorda os milagres no deserto e enumera as qualidades da terra de Israel.

VII. Outra exortação para cumprir os mandamentos, no segundo parágrafo do Shemá.

Resumo da Parashá:

Moisés, na beira do Jordão, antes da entrada em Israel, continua lembrando ao povo judeu as bondades e os milagres que D’us fez a ele. Ele anuncia todas as bênçãos que seguirão sendo dadas a ele se obedecer à Torá, e solicita que sejam sempre fiéis a ela.

Moisés promete aos judeus que D’us os abençoará se respeitarem seus Mandamentos, protegendo-os, dando-lhes a terra de Israel, e expulsando os outros povos de diante deles. Ele lhes recorda também como D’us perdoou o pecado do Bezerro de Ouro e deu as segundas Tábuas da Lei.

Os sete Shabatot que seguem o 9 de Av, o aniversário da destruição do Beit Hamicdash, são chamados “os sete consolos”. Este shabat faz parte deles. Tanto a parashá quanto a haftará que lemos neste período nos falam de consolo e de Gueulá, redenção.

Para entender melhor o que quer dizer Gueulá, é preciso pensar no que quer dizer Galut, exílio. Começamos por conhecer a sua causa, e então poderemos reparar o que precisa ser reparado; e quando a Galut não tiver mais razão de ser, a Gueulá vai chegar.

Quando um homem está doente, se ele sabe disso e o entende, ele pode ir ao médico que vai lhe prescrever medicamentos para tomar e assim ele vai se curar. Isto quer dizer que conhecer a doença é estar meio curado.

Do mesmo modo, quando se compreende o que é a Galut, se avança já em direção à Gueulá. Pode-se dizer que a cura já começou.

Antes de chegar a Israel, depois da saída do Egito, os judeus ficaram muito tempo no deserto. Hoje, do mesmo modo, antes da Gueulá, estamos num exílio comparável ao deserto. Se entendermos bem o que é o deserto, compreenderemos ao mesmo tempo o que é o exílio, o que é preciso consertar e como sair quando a Gueulá chegar.

Nossa parashá descreve o deserto. Ela nos diz: “Um deserto grande e terrível, serpentes que queimam e escorpiões, sede onde não há água”.

Um deserto é um lugar onde não cresce nada, onde não se pode viver. Ele representa um lugar em que nenhum judeu mora, onde ninguém respeita a Torá e as Mitsvot.

Como nossa parashá fala do deserto? Ela diz que é “um grande deserto ...” O que provocou em primeiro lugar a Galut, o exílio, é justamente o “grande deserto”, isto é, o fato de um judeu pensar que o deserto é grande. Quer dizer que quando um judeu se considera pequeno e o mundo que o cerca, onde não se respeita a Torá e as Mitsvot, grande, ele já está no exílio.

O deserto não somente é “grande”, mas se torna também “terrível”, e assusta. O judeu sai para conhecer o mundo que o cerca. Então, mesmo na sua própria casa, ele vai ter medo dele.

O exílio se torna duro e amargo, a ponto do judeu sentir sede. Ele quer sair do deserto, encontrar água, isto é Torá. Mas, diz a Parashá, “não há água”. Ele nem sabe mais, sede de que ele tem. Ele se afastou tanto da Torá que nem sabe o que está lhe faltando.

Quando queremos sair do exílio, é preciso começar por consertar sua primeira causa. É preciso suprimir o “grande deserto”, não se deixar impressionar pelo mundo que nos cerca, não se sentir pequeno diante dele, pelo contrário, SENTIR TODA A FORÇA DO JUDAÍSMO, recordar sempre que D’us nos elegeu para cumprir a Sua vontade.

Façamos desaparecer a causa do exílio, e este desaparecerá automaticamente e a Gueulá chegará.

____Esses quarenta anos que os judeus passaram no deserto foram uma preparação para o que deveriam fazer em Israel.

De fato, podemos saber se nosso serviço a D’us é bom e sólido de verdade quando se apresentam obstáculos e provações. Se nestes casos, notamos que não somos perturbados, é que nosso serviço a D’us é verdadeiramente profundo.

Na realidade, os quarenta anos passados pelos judeus no deserto foram também uma prova. Existem provas de dois tipos: a da pobreza e a da riqueza. No deserto, os judeus tiveram as duas ao mesmo tempo, e foi no Maná que foram percebidas.

A Maná era o “pão do céu”. Os judeus não precisavam se cansar para encontrar alimentos. Ela chegava sozinha diariamente. Ela não deixava resíduos e tinha todos os sabores que podiam se imaginar. Além do mais, junto com ela caiam pedras preciosas. Ela representava sob todos os pontos de vista a riqueza.

Por outro lado, ela também tinha um aspecto de pobreza. Os judeus que só comiam isso não ficavam tão satisfeitos quanto se tivessem comido uma comida normal. De fato, um homem que tem muito para comer na sua casa, fica mais facilmente satisfeito que aquele que possui muito pouco. Os judeus só recebiam a maná uma vez por dia. E eles nunca tinham provisões para o dia seguinte.

Vemos então que a Maná tinha esses dois lados: a maior riqueza e a pobreza.

Em si própria, a Maná representava a riqueza. Era um alimento que vinha de D’us a ponto que, mesmo descendo sobre a terra, não deixava nenhum resíduo. Era até superior ao que os homens podiam ver ou sentir. Eles só conseguiam ver a Maná mas não viam os outros alimentos cujo gosto sentiam ao comê-la. Isto lhes fazia falta.

D’us fazia a Maná descer todo dia; os judeus não estavam realmente seguros de recebê-la. Era para eles como uma prova de pobreza. Quer dizer que, do Seu lado, D’us dava a Maná, a maior riqueza, mas os judeus não conseguiam recebê-la: e percebiam isso como uma falta.

Estes dois tipos de provas foram uma preparação com respeito às Mitsvot depois da entrada em Israel.

Quando um homem se torna rico, não precisa pensar que é sua própria força e sua inteligência que lhe valeram tudo isso. Ele deve sempre lembrar que foi D’us que lhe deu a mesma. Por outro lado, D’us nos guarde disso, se ele fica pobre, ele deve saber que “nenhum mal desce do céu”. Se ele teve que passar por provações, foi por seus próprios erros, e ele deve aceitá-las de bom grado. D’us só da o bem; só que, de vez em quando, não conseguimos vê-lo.

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“E será se escutares estas leis, se as guardares e as cumprires, D’us, teu D’us, guardará a aliança e a bondade que Ele havia jurado aos teus pais.”

O termo “se”, “Equev”, é sinônimo de “calcanhar”. Estranho ... Mais ainda, considerando que esta é a única vez que o encontramos com este sentido na Torá.

Rashi comenta com respeito a isso: “Se respeitares até os mandamentos mais simples, mais banais, que o homem tem o costume de pisar com o calcanhar... só então Eu te darei as Minhas bênçãos”.

É um grande erro pensar que os judeus devem se submeter à Torá apenas nas suas linhas gerais.

A Torá exige um respeito escrupuloso, meticuloso de cada detalhe da vida quotidiana.

Revelar o Absoluto, o Divino, nos detalhes do dia a dia, esta é a finalidade do judaísmo, assim é o nosso caminho.

Este é o preço para que as bênçãos divinas se revelem efetivamente em todos os detalhes da vida e que se realizem os termos da aliança.

PARASHA EKEV