8. Vayshlah, e ele mandou...


B’SD

Kol Hamoshiah

PARASHAT VAISHLAH

Conteúdo da Parashá:

ÞIaacov envia mensageiros a Essav.

ÞIaacov se prepara para o encontro com Essav.

ÞIaacov adota 3 medidas de proteção para se preparar para o encontro com Essav:

1) A Oração (Tefilá)

2) O envio de presentes para seduzir Essav

3) A estratégia em caso de guerra

ÞO encontro entre Iaacov e Essav.

ÞEssav volta ao seu país mas o ódio contra Iaacov queimava sempre no seu coração.

ÞA tragédia de Dina. Shchem viu Dina, raptou-a e a tomou pela força.

ÞShimon e Levi vingam Dina, sua irmã.

ÞO erro de Reuven no incidente de Bilha e sua teshuvá.

- A Torá considerou sua interferência nos assuntos conjugais do pai (ele tinha desordenado o leito do seu pai) como um erro tão grave quanto ter realmente estado com Bilha!

ÞIaacov retorna à casa do seu pai em Chevron após uma separação de mais de 20 anos.

ÞA morte de Itschac.

ÞOs descendentes de Essav são mencionados na Torá para revelar a imoralidade e a devassidão da família de Essav. Todos os seus filhos nasceram de incestos.

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Resumo da Parashá:

Sob a ordem de D’us, Iaacov retorna a Israel, depois dos vinte anos passados na casa de Lavan. Agora ele está casado, trouxe ao mundo os fundadores das tribos do povo judeu e se tornou muito rico. Ele se prepara para seu reencontro com Essav que ainda guarda rancor dele e no caminho, ele teve que se bater contra o anjo de Essav. Ele o abate e este lhe da o nome Israel. Ele se encontra com Essav que lamenta o mal que queria lhe fazer.

No caminho de volta, Iaacov envia mensageiros a Essav, seu irmão. Ele lhes ordena dizer, de parte sua: “Com Lavan morei”. Com essas palavras, Iaacov queria mostrar que tinha se mantido estranho a tudo o que se referia a Lavan, e que apenas “esteve”, morou provisoriamente lá, sem nela ter se instalado.

De fato, todas as coisas deste mundo material, a riqueza, eram para Iaacov coisas alheias. Nada disto o preocupava, nem lhe interessava. Não era verdadeiramente para ele.

Seu lugar de residência não era, portanto, Lavan e o mundo material, mas sim o estudo da Torá e a prática das Mitsvot. É no serviço de D’us que ele se sentia em casa, e em nenhum outro lugar mais.

A Parashá especifica com respeito a este assunto: “Ele construiu uma casa para si e, para seus rebanhos, ele fez cabanas”. Isto quer dizer que para ele mesmo, para sua Neshamá, sua alma, ele edificou uma casa, um lugar fixo, definitivo - esta era sua verdadeira ocupação. Mas para seu rebanho, sua riqueza material, ele só fez cabanas, quer dizer coisas provisórias, que não se destinam a durar.

Deste modo podemos entender o comentário de Rashi com respeito ao versículo “Com Lavan morei”. Em hebraico a palavra “morei” se diz “garti”, que está composta das mesmas letras que “tariag” que quer dizer “613”, o número das Mitsvot. Rashi acrescenta, então: “Com Lavan morei (“garti”)” - “e respeitei as 613 (“tariag”) Mitsvot”. Iaacov declara então que, apesar de ter ficado muito tempo com Lavan, pode cumprir todas as Mitsvot. Como conseguiu fazê-lo? Considerando as coisas materiais como coisas alheias no lugar onde apenas “morava”.

O Maguid de Mezeritch dizia: “Em casa é diferente. Em casa precisamos mesmo ter tudo. Mas quando estamos viajando, não é grave se o local onde se está não é muito bonito, se os móveis não são belos. Estamos viajando”.

Hoje, nesta época de Galut, estamos viajando. Ainda não estamos em casa, tudo é provisório. Somos como Iaacov, que apenas “esteve” com Lavan.

Estamos a caminho, avançamos para a Gueulá. É nela que se encontra a verdadeira vida. Entraremos então na nossa casa, nossa moradia definitiva. O que temos a fazer é o serviço de D’us. Se considerarmos o mundo desta maneira, faremos com que Mashiach venha muito rápido.

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UNIDADE DE D’US e IDOLATRIA

Na Sidra desta semana, lemos que Iaacov disse à sua família e a todos os que estavam com ele: “Livrem-se dos deuses alheios que vocês têm. Purifiquem-se e troquem as vossas roupas” (Bereshit 35/2).

Maimonides observa que apesar do fato da impureza ritual da idolatria ser um mandamento de origem rabínica, a Torá faz alusão a ela nesta ordem com que Iaacov intima a sua família: : “Livrem-se dos deuses alheios que vocês têm. Purifiquem-se e troquem as vossas roupas”. A observação de Maimonides referente a esse versículo nos permite entender melhor a razão de ser da idolatria.

Podemos nos fazer a seguinte pergunta: como explicar a existência da idolatria que, por natureza, é diametralmente oposta à Unidade de D’us? Aliás, esta é a pergunta que foi feita a nossos Sábios: “se D’us reprova a idolatria, por que Ele não a aboliu?” (Avodá Zará, 54b). O Talmud relata a resposta dos Sábios da época: “Eles (os idolatras) servem o sol, a lua, as estrelas e as constelações, será que isso justifica que D’us destrua Seu mundo por causa desses insensatos?”. Apesar do acerto da resposta, a questão subsiste: “Como D’us pode permitir ao homem pensar que a idolatria oculta uma parcela sequer de verdade”. Depois de tudo, se D’us condena mesmo a idolatria, Ele não deveria nunca ter deixado ao homem a possibilidade de nutrir este tipo de pensamentos?

A resposta a esta pergunta reside na observação de Maimonides sobre o versículo “Livrem-se dos deuses alheios” que, segundo ele, é a origem na Torá da impureza ritual da idolatria.

Em outros termos, a idolatria existe no mundo com a única finalidade de ser totalmente erradicada pela ação influente do povo judeu, cuja missão, entre outras, é de “livrar-se dos deuses alheios”.

D’us desejou que a Santidade fosse revelada graças ao trabalho espiritual dos judeus, e em conseqüência, Ele encarregou, o povo judeu de revelar ao mundo o dogma fundamental que representa o monoteísmo. A partir de então ele puniu deliberadamente a existência da idolatria para que o povo judeu pudesse, com seus esforços incessantes ao longo da sua extensa e dolorosa história, demostrar a inconsistência dessa existência e ao mesmo tempo, revelar a crença num D’us Único.

O Admor Hazaquen afirma que cada transgressão é considerada como uma certa forma de idolatria. Porque a Unidade de D’us, antítese da idolatria por excelência, não significa apenas que existe um só Criador, significa também que D’us é a única realidade verdadeira. Qualquer outra realidade ou existência é nula e não se manifesta diante dEle, encontrando-se completamente integrada e englobada dentro dEle.

É claro que quando um judeu transgride a Vontade de D’us do modo como a formulam os Seus mandamentos, ele se separa de D’us e se torna uma entidade independente. Isto corresponde, inclusive, a renegar a Unidade de D’us; no caso, o pecador é comparado por assim dizer a um idólatra. Neste caso, o pecador e o objeto que lhe serviu de suporte caem sob o peso da interdição. Ambos participam e se associam para renegar a Verdade absoluta de D’us.

Então, do mesmo modo que a idolatria não tem um fundamento real e representa simplesmente um fantasma no espírito dos idólatras, cuja presença não tem outra finalidade além de ser aniquilado pelo povo judeu, o mesmo acontece com tudo que serve de suporte e de veículo para a idolatria. Sua só presença permite aos judeus poder dominar a tentação de utilizá-los.

Qual é o ensinamento que se desprende disso para nosso serviço divino? Enfrentado aos inúmeros obstáculos e armadilhas que se erguem em seu caminho, um judeu poderia se perguntar o seguinte: “De onde pode ele tirar a força e a tenacidade para vencer o mal que o rodeia e sair vencedor deste difícil combate?”

A oposição à Santidade é o resultado direto do ocultamento que D’us desejou, ocultamento esse que esconde a verdade pela qual “nada existe fora dEle”, pela qual nada no mundo tem existência independente de D’us.

Quando um judeu se liga com D’us a ponto de revelar dentro dele a verdadeira Unidade de D’us, automaticamente deixa de existir qualquer oposição à Divindade, à semelhança da escuridão que é expulsa por um pouco de luz pela simples razão que escuridão não tem existência real.